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Falling Slowly - Glen Hansard And Marketa Irglova


I don't know you
But I want you
All the more for that
Words fall through me
And always fool me
And I can't react

And games that never amount
to more than they're meant
Will play themselves out

Take this sinking boat
And point it home
We've still got time
Raise your hopeful voice
You have a choice
Tou've made it now

Falling slowly
Eyes that know me
And I can't go back
Moods that take me
and erase me
And I'm painted black

You have suffered enough
And warred with yourself
it's time that you won

Falling Slowly
Sing your melody
I'll sing along

- Virginia ♦

Virginia, bate ponto no conto de fada
E as fadas de saias apertadas dançam na calçada
Inocência adulterada
Nas esquinas encantadas, maquiagem carregada
O cliente tem razão, não é "bicho papão"
Rosas tem espinhos para enganar o coração
Sorrisos de criança em confortável ilusão

Virginia, a rua esta lhe ensinando a viver
ela tem hora marcada para se vender
Não deu tempo nem de crescer
Seu olhar aparante não é inocente
Na vida se vende pra sobreviver

Prostituta ou então garota de programa
Se reveza entre berços e camas redondas
Mas precisa e lança,
Seu olhar, o flerte, sorrisos com dentes de leite
E a fruta verde esborra a sede
Agora peitos e poses e pelos e cores no cabelo
E caras e bocas, paladares, rapazes e cenas no espelho
Escorre o suco vermelho, e o segredo?
O segredo não é segredo mais


Tudo começou quando era pequenina
Seu padrasto mandava baixar a calcinha
E fazia sua festinha particular
Virginia começou a se revoltar
O trauma invade a alma e cala o olhar
Cadê "minina"?
Foi passear no bosque e o seu lobo não vem mais pegar
Cadê "minina"?
Foi pra esquina e conheceu outras meninas
Álcool, Craque, Cola e Cocaína
Cresce e aparece na vitrine 
Cadê "minina"?
Agora adulta e velha prostituta desgastada
Disputa a calçada que já foi sua
Com novas Virginias, pois a produção continua
Ate a filha de Virginia esta nas ruas nua
no registro: Pai Desconhecido
E o dinheiro que ela ganha é para alimentar o vicio
de sua mãe Puta viciada, com a cara enrugada
Mas seu nome ainda ronda pela madrugada...

- Música ♪

A música é de Satanás, jovem maestro de muito futuro, que aprendeu no conservatório do céu. Rival de Miguel, Rafael e Gabriel, não tolerava a precedência que eles tinham na distribuição dos prêmios. Pode ser também que a música em demasia doce e mística daqueles outros condiscípulos fosse aborrecível ao seu gênio essencialmente trágico. Tramou uma rebelião que foi descoberta a tempo e ele foi expulso do conservatório. Tudo se teria passado sem mais nada, se Deus não houvesse escrito um libreto de ópera, do qual abrira mão, por entender que tal gênero de recreio era impróprio da sua eternidade. Satanás levou o manuscrito consigo para o inferno. Com o fim de mostrar que valia mais que os outros -, e acaso para reconciliar-se com o céu -, compôs a partitura, e logo que acabou foi levá-la ao Padre Eterno. 
    " - Senhor, não desaprendi as lições recebidas - disse-lhe. - Aqui tendes a partitura, escutai-a, emendai-a, fazei-a executar, e se achardes digna das alturas, admiti-me com ela a vossos pés...
    " - Não - retorquiu o Senhor -, não quero ouvir nada.
    " - Mas, Senhor...
    " - Nada! nada! "
                 Satanás suplicou ainda, sem melhor fortuno, até que Deus, cansado e cheio de misericórdia, consentiu em que a ópera fosse executada, mas fora do céu. Criou um teatro especial, este planeta, e inventou uma companhia inteira, com todas as partes, primárias e comprimárias, coros e bailarinos.
    " - Ouvi agora alguns ensaios!
    " - Não, não quero saber de ensaios. Basta-me haver composto libreto; estou pronto a dividir contigo os direitos de autor".
         Foi talvez um mal esta recusa; delas resultaram alguns desconcertos que a audiência prévia e a colaboração amiga teriam evitado. Com efeito, há lugares em que o verso vai para a direita e a música para a esquerda. Não falta quem diga que nisso mesmo está a beleza da composição, fugindo à monotonia, e assim explicam o terceto do Éden, a ária de Abel, os coros de guilhotina e da escravidão. Não é raro que os mesmos lances se reproduzam, sem razão suficiente. Certos motivos cansam à força da repetição. Também há obscuridades; o maestro abusa das massas corais, encobrindo muita vez o sentido por um mundo confuso. As partes Orquestrais são aliás tratadas com grande perícia. Tal é a opinião dos imparciais... #  
                                                     
                                                                                          Tudo é música.

-



"O meu fim evidente era atar as duas pontas da vida, e restaurar na velhice a adolescência. Pois, Senhor, não consegui recompor o que foi nem o que fui. Em tudo, se o rosto é igual, a fisionomia é diferente. Se só me faltassem os outros, vá; um homem consola-se mais ou menos das pessoas que perde; mas falto eu mesmo, e esta lacuna é tudo. O que aqui está é, mal comparando, semelhante à pintura que se põe na barba e nos cabelos, e que apenas conserva o hábito externo, como se diz nas autópsias; o interno não aguenta tinta. Uma certidão que me desse vinte anos de idade poderia enganar os estranhos, como todos documentos falsos, mas não a mim. Os amigos que me restam são de data recente; [...] Entretanto, vida diferente não quer dizer vida pior, é outra coisa. A certos respeitos, aquela vida antiga aparece-me despida de muitos encantos que lhe achei; mas é também exato que perdeu muito espinho que a fez molesta, e, de memória, conservo alguma recordação doce e feiticeira."
                                                        - Machado de Assis
                                                                           

- #

Eu precisei de uma noite somente, uma noite como esta para dilacerar-me. Talvez eu soubesse de tais desejos malignos que andavam escondidos. Por algumas semanas eu tenho permanecido muito neste "Talvez" inconfundível. Não compreendo o porque desta incerteza fútil que insiste em andar ao meu lado. Eu sei que parece um tanto imbecil se importar com tantas indecisões, afinal, nós, seres humanos, somos cheios delas. Porém, eu tento ter menos insegurança para com as coisas. Acordei a um momento atrás, assustada, nada normal para uma segunda-feira. - Não vou aprofundar-me no aspecto sonhoEu precisaria de uma tamanha complexidade que não se encontra em mim agora. Estou com medo, não digo sozinha. Não estou solitária, e muito menos sendo mal amada. Também não me encontro rejeitada por este mundo, apesar de eu me encontrar longe dele por vários minutos, brisando em dimensões surreais. São estas dimensões que fazem de mim o que sou. Uma pessoa por tantas vezes fria, recoberta por esta camada falsa e espectral. Antes eu agradecia muito a este outro lado da minha realidade. Hoje, eu já não sei o que pensar sobre estas feridas presentes em lugares terminantemente não vistos. Vou dizer a elas para tentarem uma cicatrização contínua, uma vez mais. Só para eu poder dormir em paz. 

- Tears ' ♥

         As conexões concebidas através do tempo não se desmancham simplesmente. Eu gostaria que elas se difundissem através das lágrimas que ainda escorrem por entre meu rosto. Estas lágrimas que insistem em cair. Confesso, não é tanto minha culpa, não mais. Talvez as dores estejam tentando se comunicar, e eu não queira escutá-las. Mas são tantas questões sendo formuladas na minha mente, tantas sem respostas, que prefiro jogar toda essa confusão de lado e continuar amando. 
                   Embora o amor traga lágrimas, estas são imparciais comparadas com aquelas trazidas pelo sofrimento de um passado terrível. Para isso, precisariam conhecer a minha história, só que não quero contar a mais ninguém. Apenas a ela, e isto basta. Não sinto uma necessidade forte em sair declarando-a por entre palavras abestadas às 20:12. Estou aqui, escrevendo, somente por escrever, para mostrar algum afeto a estas palavras que gostam de um companheirismo amigável. Não estou tentando ser fortemente objetiva. Não, este não é meu interesse. Só que também não desejo cair nas tentações destes cortes. Metaforicamente dizendo. Vou terminar esta noite lembrando-me do meu amor, sentindo-a um pouco mais. Um pouco do que resta deste final de semana cruel e massacrante. Sim, também preciso rir. Lágrimas viraram pó. Por hoje. Apenas. 
  

- 2

Gandhi dizia que tudo o que você fizer na sua vida será insignificante. Mas que é muito importante fazer. Bom, concordo com a primeira parte. Falando nele, lembro da minha fixação pelo número 2, 22, 222... ' # Gandhi, aos 22 tinha três filhos. Mozart, trinta sinfonias e Buddy Holly estava morto.
O número 2 cria um perfil para mim, um perfil idealizado.
                Observo atentamente as coisas a minha volta com atenção. E embora eu movimente em meu cotidiano, nunca estou inteiramente aqui. Minha mente esta ligada em outro lugar. Não acredito que a vida se resuma em trabalhar, ganhar dinheiro, namorar, casar e constituir família. Tudo tem um sentido maior, e busco filosofias que respondem estas questões existenciais, como: Porque estamos aqui? Qual meu lugar no universo?
                Sinto-me as vezes em uma melancolia profunda. Vejo pessoas brigando por coisas mesquinhas e sei que a vida não deveria se reduzir a isto, o ser humano poderia viver de uma maneira mais digna. Ou não. Não gosto de ser enquadrada em rótulos, meus pensamentos não se encaixam nos parâmetros sociais. Meu foco esta nos valores subjetivos e acabo muitas vezes não dando importância as coisas, ate mesmo pessoas. Mas chega de falar de mim.
                Volto aqui ao numero 22. O número que para mim retrata a decisão. O simples sim ou não de determinadas situações pelos quais eu convivo. Não gosto do meio a meio.  Não sei, é como se este numero fosse o ápice, de uma união do espírito e da matéria, independente e auto-suficiente. Ele que é meu número de chamada, ele que fez-me ganhar dois bingos, e um ovo da páscoa em sorteio apesar de eu não comer chocolate. Ele foi o número de uma questão que eu acertei, que eu necessitava acertar para passar para segunda fase na Olimpíada. O número 22 foi a quantidade de cartas que recebi da minha melhor amiga, que nunca mais pude ver. Este foi o número que meu avó me deu de presente antes de morrer... Enfim, 2 é o meu número. Depois de tudo isto, não duvido. 
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